Jiro Azuma e Rago no episódio final de Black Torch.

Anicat

19/09/2026
Compartilhe

Black Torch acabou. O episódio 12, chamado "ONCE AGAIN", foi ao ar neste sábado, 19 de setembro de 2026, às 22h no Japão, o que deu 10h da manhã em Brasília, e fechou a série em doze episódios. Se você terminou com a impressão de que o desfecho chegou rápido demais, a impressão está certa, e existe um motivo concreto para isso que não tem nada a ver com o estúdio. Abaixo está o que o episódio coloca em jogo, por que a história tem esse tamanho, o fio que ficou sem resposta e a situação de uma 2ª temporada.

Aviso de spoiler

Daqui para baixo o texto trata do episódio final e do desfecho do mangá. Se você ainda não assistiu, o guia de onde assistir Black Torch resolve a parte prática sem estragar nada.

O que o episódio final coloca em jogo

O episódio 12 é praticamente uma luta só. De um lado, Amagi em sua versão fortalecida. Do outro, Jiro Azuma com o poder do Rago liberado, os dois no limite.

A preparação veio do episódio 11, "Black and White", que fez duas coisas ao mesmo tempo: abriu o passado de Amagi e mostrou Jiro deixando de tratar o poder do Rago como algo que ele pega emprestado no desespero. A virada do protagonista não é ganhar força nova, é passar a controlar a força que ele já tinha, e a relação dos dois sai da dependência para uma parceria de fato.

É exatamente esse ponto que a luta final cobra. Amagi gasta boa parte do confronto sustentando que ele e Jiro são dois lados da mesma moeda, dois seres que carregam poder de mononoke e escolheram caminhos opostos. A tese dele é a da dominação: o mais forte manda, e os mononoke deveriam mandar nos humanos. A de Jiro é a parceria, e a luta existe para decidir qual das duas se sustenta.

O esquadrão inteiro participa do desfecho, e não só o protagonista. Ichika Kishimojin e Reiji Kirihara têm papel próprio na resolução, o que é coerente com uma obra que passou a temporada inteira insistindo que ninguém aqui resolve nada sozinho.

No mangá, que o anime adaptou até o último capítulo com supervisão do autor, o saldo é positivo para o time: Amagi é derrotado e nenhum dos protagonistas morre. Jiro e Rago seguem juntos, e o esquadrão continua de pé. O tema fecha onde a obra sempre apontou, com a cooperação vencendo a dominação.

Por que o final parece apressado

Aqui está a resposta que quase ninguém vai dar hoje, e ela não é sobre o anime. É sobre 2018.

O mangá de Black Torch foi encerrado precocemente. Tsuyoshi Takaki publicou a obra na Jump Square a partir do último dia de 2016, ficou lá até março de 2018 e então a série migrou para a Shonen Jump+, onde saíram mais quatro capítulos até julho daquele ano. Total: 19 capítulos em 5 volumes. Para uma revista que na época abrigava Blue Exorcist, Moriarty, Kemono Jihen e World Trigger, não foi o bastante.

EtapaQuandoO que aconteceu
Estreia na Jump Square31 de dezembro de 2016Começo da serialização mensal
Saída da Jump Square2 de março de 2018A série deixa a revista
Reta final na Shonen Jump+11 de abril a 11 de julho de 2018Mais quatro capítulos, e o encerramento
Anime4 de julho a 19 de setembro de 202612 episódios adaptando os 19 capítulos

Ou seja: o arco final de Black Torch já nasceu comprimido. O autor teve poucos capítulos para fechar um conflito que vinha sendo montado em ritmo lento, e o anime herdou essa estrutura. A pressa que você sentiu no episódio 12 é a pressa do capítulo 19, que foi escrito sob a pressão de encerrar.

Vale dizer com honestidade que a versão mais repetida por aí, a de que o cancelamento pegou o autor de surpresa, aparece em parte da imprensa especializada mas não em comunicado oficial. O que é fato verificável é o formato: 19 capítulos, duas plataformas diferentes e um encerramento em quatro capítulos avulsos.

O fio que ficou sem resposta

Se uma coisa merece reclamação, é esta, e ela tem nome.

O motor pessoal de Reiji Kirihara é o irmão mais velho, Shinji, possuído pela espada demoníaca Yamakaze e levado a matar o próprio pai. O objetivo de vida de Reiji não é derrotar Amagi: é caçar Shinji para libertar a alma dele. O episódio 7 fecha justamente com Reiji descobrindo que o terceiro mononoke é o irmão, ainda possuído.

Esse fio é aberto com cuidado e nunca recebe o mesmo tratamento do arco de Amagi. É a dívida mais visível que a obra deixa, e é o tipo de coisa que uma segunda metade de história resolveria. Não houve segunda metade.

Junto dele ficam a sociedade dos mononoke além dos vilões que aparecem, detalhada em parte no guia de lore dos mononokes, e o Bureau de Espionagem, cuja estrutura interna mal é explorada. Takaki chegou a deixar um posfácio no mangá descrevendo o que pretendia fazer com a história e com os personagens, o que dá a medida do quanto ficou de fora.

O que o autor fez nesta adaptação

Um detalhe que muda a leitura do final: Takaki não ficou de fora do anime. Ele supervisionou a adaptação e participou de storyboards e do design, ou seja, o encerramento que foi ao ar hoje passou pelas mãos de quem escreveu o original.

Sobre o resultado, a frase dele é que a obra foi "recriada em algo ainda melhor, respeitando plenamente a história original". E, no dia do encerramento, ele publicou uma ilustração comemorativa do trio principal.

Isso tem uma consequência prática para quem assistiu: o anime não inventou um final próprio. Ele entregou o final que existia, com mais tempo de tela e produção do que os quatro capítulos finais tiveram em 2018. É por isso que a comparação justa não é "anime contra mangá", é "esta versão contra o que a obra teria virado se tivesse durado".

Vai ter 2ª temporada?

A resposta curta é não, e o motivo é aritmético: os 12 episódios cobriram os 19 capítulos inteiros. Não sobrou material de origem. Uma continuação precisaria de história original ou de uma obra nova do autor, e nada nesse sentido foi anunciado.

O raciocínio completo, com o que existiria de caminho para uma continuação, está no guia definitivo de Black Torch.

Onde ler o mangá agora

Terminou e quer ver a fonte. A informação que falta em português é esta: Black Torch não tem edição brasileira. Nenhuma editora nacional anunciou a obra, e o que aparece em busca como leitura em português é material não oficial, que não vamos indicar.

O caminho legal passa pelo inglês, pela VIZ Media, que publica os cinco volumes. Vale o registro de oportunidade: a VIZ colocou um box com a coleção completa para 22 de setembro de 2026, três dias depois do final do anime, no mercado americano.

Sendo direto sobre se compensa: como o anime adaptou a obra inteira, ler o mangá depois não vai te dar história nova. Serve para ver o traço original de Takaki, que é a parte mais elogiada da obra, e para ler o posfácio em que ele conta o que planejava. Não serve como continuação, porque continuação não existe.

Publicado em 19 de setembro de 2026, no dia do episódio final.

© Anilore.com - Todos os direitos reservados.